A Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas – nasceu do coração missionário de São João Batista Scalabrini, em Piacenza, Itália, no dia 25 de outubro de 1895. Ao seu lado, colaboraram de maneira decisiva os cofundadores Padre José Marchetti e Assunta Marchetti, que ajudaram a transformar em missão concreta o sonho de acompanhar os migrantes mais pobres e vulneráveis.
O carisma scalabriniano surgiu no contexto da grande emigração italiana para as Américas, no final do século XIX. Sensível ao sofrimento de milhares de famílias obrigadas a deixar sua terra natal, Scalabrini compreendeu a migração não apenas como um fenômeno social, mas como um verdadeiro chamado evangélico. Dessa intuição nasceram as Congregações Missionárias Scalabrinianas, comprometidas em acolher, proteger, promover e integrar migrantes e refugiados em todo o mundo.
Com o passar do tempo, o carisma expandiu-se e passou a ser vivido também por outros ramos da família scalabriniana, como as Missionárias Seculares Scalabrinianas e o Movimento dos Leigos Missionários Scalabrinianos (LMS). O Movimento reúne homens e mulheres que, inspirados pela espiritualidade de Scalabrini, assumem a missão junto às pessoas em mobilidade humana em suas comunidades, profissões e realidades cotidianas, testemunhando o Evangelho através da acolhida, da solidariedade e da defesa da dignidade humana.
Um dos elementos mais profundos da espiritualidade scalabriniana encontra-se na palavra latina Humilitas. Mais do que um lema, ela expressa um estilo de vida herdado de São Carlos Borromeu e assumido por Scalabrini como marca de sua missão. Para as Scalabrinianas, Humilitas significa viver com simplicidade, proximidade e espírito de serviço, reconhecendo no migrante e no refugiado o rosto do próprio Cristo. É a humildade que conduz à escuta, ao cuidado e à capacidade de caminhar junto daqueles que vivem a dor do desenraizamento e da esperança por uma vida mais digna.
Inspiradas em Jesus Cristo Peregrino, especialmente no episódio dos discípulos de Emaús, as Scalabrinianas procuram fazer-se próximas daqueles que caminham marcados pela migração e pelo refúgio. Assim como Jesus se aproximou dos discípulos, ouviu suas dores e reacendeu neles a esperança, as irmãs buscam estar presentes nas fronteiras geográficas e existenciais, promovendo acolhida, escuta, proteção e fraternidade.
Ao longo de sua história, as Scalabrinianas dedicaram-se à educação, à ação social-pastoral, à saúde, à catequese e, sobretudo, ao acompanhamento dos migrantes e refugiados mais vulneráveis. Sua missão continua sendo expressão concreta do amor de Deus junto às pessoas que enfrentam os desafios da mobilidade humana.
Atualmente, a Congregação tem sua sede geral em Roma e está presente em 27 países, com aproximadamente 600 irmãs. Fiéis à intuição profética de São João Batista Scalabrini, as Scalabrinianas seguem levando esperança, acolhida e cuidado às pessoas migrantes e refugiadas, mantendo vivo um carisma que continua atual e necessário no mundo de hoje.